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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Da série PETIANO também faz contos

DIA BONITO
(Deise Rocha)

Fazia um dia bonito lá fora.
Mas dentro ainda havia a tempestade. Toda a sua felicidade havia ido embora, carregada pelo vento e pela água da chuva, de dias passados.
Ele acariciou a cabeça de seu cachorro e partiu, deixando a casa sobre os cuidados de seu amigo e único companheiro, agora, naquele lar. Resolveu deixar o carro também. O dia estava bonito. Merecia ser aproveitado de outra forma. Não sabia por quê, mas merecia.
E foi andando.
Passou por tantas pessoas na rua e na estação de metrô.
Havia muita diversidade de pessoas ali, em sua cidade, mas nunca havia percebido. Ficou pensando tanto nessa diversidade que se esqueceu da tristeza que havia dentro de si.
Foi quando, saindo da estação do metrô, que ele avistou pessoas vestidas igualmente. E em cada camiseta que vestiam, havia a mesma pergunta estampada. Ele ficou parado lá, olhando aquelas pessoas fazendo, de uma maneira muito interessante, o bem a tantas outras.
Então, surpreendentemente, ao invés de seguir seu rumo, ele foi em direção ao grupo, em especial, a um deles, o que estava mais distante. E sem apresentações formais, ele apenas disse que queria.
E foi abraçado. E envolvido naquele abraço, chorou. E ao começar a chorar foi envolvido pelo grupo inteiro. E ele chorou mais ainda. E em cada lágrima, sentia seu corpo se limpar da tristeza.
Foi o melhor dia da vida dele, desde então.
E era isso o que muitos comentavam em seu trabalho. Embora não soubessem o por quê. Apenas viram explícito em seu sorriso.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Petiano também poetiza!

LUZ
(Mateuzra Fernandes)


Aê galera muito da pesada
valeu por essa amizade
pode ser que role uma chuvada
e eu queria estar aí com vocês
pra tomarmos banho de chuva
tomar banho de chuva é bom
nosso corpo também é água
a chuva não purifica
mas ajuda
só você pode se purificar
se quiser
tudo mais ao redor pode fortalecer
apontar um caminho ou outro
e no fim só você decide
decidindo pelo caminho certo
que pode não ser o mesmo meu
vocês encontraram um espelho cristalino
que pode ser d'água ou magia
adonde purificar-se por dentro
agradeça a chuva
dê bom dia ao Sol
ou à Lua
então poderão caminhar pela luz

ou da Lua ou do Sol
qual será a luz de cada qual de vocês
Jaci é Lua na cheia
Marina é calor da manhã
Nat é luz bailando pelas nuvens
(e tão bão ver no relógio qui ainda farta uma hora preu picá-mula!
vô ficá aqui viajando côces)
Susy luz crescente
primeiro quarto ascendente
aquelas duas irmãs lá perto da árvore
apontando o dedo pra mentira contemporânea de Macunaíma
são o sabor de sonhar acordado
elas a luz da Lua e do Sol
refletem uma na outra tanto
não dá pra saber qual é Lua
qual é Sol
sei que as duas são luz
precisam uma da outra pra que sejam
e por isso as duas são
Vina é luz que reflete na sombra
Deise é o Luar em vermelho
Wesley é o Luar indo e voltando
Alisson é corrida ao Sol
Victor é a Lua de cabeça virada
dependendo de onde você esteja
Virada pra cima
virada pra baiXo
Lua se abrindo por trás da mascara encantada
seus rosto a Lua
seus olhos luziar
passando um pelo outro são mudança
transformações e renascimentos
eclipse total
sem querer ser Wando
juntos são Sol e Lua
vocês incidem um no outro
incidem sobre mim
eu sou a viagem
pequeno como príncipe
quero ser eternamente responsável por aquele que me cativa

AMO VOCÊS
EU AMO NÓIS!   


Imagem: PET-Edu

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Enfim, férias [?]

Poema de Férias
(Cláudia Sabadini)

Pé na estrada
Na bagagem só o essencial
Para sobreviver
Aos dias sem celular
Sem computador
Sem horários...

Em cada curva no caminho
Deixo para trás
Aquela vozinha me lembrando
Que na volta tudo estará
Do mesmo jeito...

E daí?
Quero curtir
Quero ser inconsequente

Dormir tarde
Acordar mais tarde ainda
Caminhar no calçadão
Ler meus livros empoeirados
Ver filme na madrugada

Badalar na madrugada
Namorar na madrugada
Vou me desligar do mundo

Estou de férias...


Imagens: PET-Edu

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Alegrando o Sábado

Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes) 

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
o seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pra poetizar o Ano!

Os Meses do Ano 
(Maria Eugénia A. Pires)


Janeiro em ti amanhece
És filho primeiro do ventre desta mãe
Como primeiro tudo em ti se esquece
O frio, o vento, a neve e a chuva também

E tu Fevereiro par do segundo filhote
Brincalhão, brutesco filho vagabundo
Enganas tua mãe com sol manhoso
Que escondes sem dó, sem esquecer o mundo

Mas lá vem o Março, o filho terceiro
Alegre e airoso de bom coração
Acorda a sorrir e muito gaiteiro
Mas acaba a chorar até mais não

E vem o Abril das manhãs verdejantes
Que o Março gaiteiro para ele deixou
Qual noiva a sorrir e águas cantantes
Qual o sonho de amor que só ele suspirou

E o Maio lindo qual Avé Maria
Doce, doce qual noiva a chorar
Terno e manso, quem diria
Que é tanto materno convida a rezar

E o Junho belo e forte segue seu irmão
É o mês dos três santos populares
Santo António, São Pedro e São João

Julho alegre, brejeiro e ardente
Que sabe esquecer e sabe abrandar
É celeiro cheio e fornalha ardente
É verdura loira e fonte a cantar

E logo atrás o irmão mais brando
O formoso Agosto que quer fugir ao mar
As marés atormentam-no e de vez em quando
Entristece o rosto e põe-se a chorar

Logo vem Setembro amarelo e calmo
Orgulho das campas milhão a soar
É uva, é vinho, é terra sem palma
É linho dos montes, toalha do altar

E o Outubro loiras das tardes amorosas
Que as folhas caídas fizeram no ar
Viúvo ficaste e as esposas choram
Não cases de novo para de novo chorar


Novembro aparece cinzento zangado
Já nasceu assim e assim vai findar
Findam nossos corpos é verme acabado
Mas tu voltas sempre e queres voltar

Vem por fim Dezembro
O último menino dos doze filhotes
Que o bom ano tem
Roxinho de frio traz-nos um hino
De amor e de paz, de alegria também.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

E pra iniciar bem o ano, nada melhor que um poema.


Amar!




Eu quero amaramar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


(Florbela Espanca)

É isso aí! Muito "amar" nesse ano.